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Caminho da desinflação e da redução de juros está dado, afirma Ilan

Por Eduardo Campos | Valor

BRASÍLIA  -  O que se discute hoje não é mais se a inflação está alta ou como devemos conduzir a taxa básica de juros da economia. Mas a velocidade e a extensão da redução da Selic. O caminho da desinflação e da redução de juros está dado. A afirmação é do presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, e está em entrevista no site da instituição.

De acordo com o presidente da autoridade monetária, as expectativas para a inflação estão melhores. No mercado, estão muito perto da meta, em 4,4%, 4,3%. Mesmo para os anos seguintes, para 2019 e 2020, estão em 4,25%. “São expectativas muito diferentes do que as que tínhamos há um ano”, lembrou Ilan.

A avaliação do BC, acrescenta Ilan, é de que a economia se estabilizou e há perspectivas de recuperação gradual. O primeiro semestre de 2017, por exemplo, apresentou um crescimento razoável, de 1%.

“Uma parte importante desse crescimento tem a ver com o setor agrícola. E, se a outra parte não teve o mesmo desempenho, apresentou ao menos uma estabilização”, diz.

Muito dessa melhora, afirma Ilan, vem da mudança da direção da política econômica brasileira. Reformas e ajustes foram fundamentais. E o BC acompanha o desenrolar de outras medidas que Ilan considera determinantes para o desempenho da economia e para a sustentabilidade da desinflação, como a reforma da previdência.

“É o que dizíamos há um ano: se tivermos ajustes, se as questões fiscais e de produtividade passarem, se as reformas trabalhista e da previdência saírem, as incertezas sobre a economia diminuem e o juro neutro estrutural tende a cair”, explica o presidente do BC.

A queda do juro neutro, segundo ele, afeta a política monetária. “Seria determinante para a avaliação que fazemos sobre o ritmo ideal de queda da taxa básica de juros”, nota.

O texto também destaca mudanças estruturais no sistema financeiro, previstas na Agenda BCmais, lançada pela instituição em dezembro de 2016, com o objetivo de baratear o custo do crédito, modernizar a legislação, aumentar a eficiência do sistema e fomentar a cidadania financeira.

“Entre outras medidas, já implementamos a simplificação da estrutura de compulsórios; enviamos ao Congresso, a MP 775, que estabelece a garantia de títulos e valores mobiliários por meio eletrônico, reduzindo o risco e o custo do credito, segmentamos o sistema financeiro de forma a implementar a proporcionalidade de aplicação da regulamentação prudencial e aumentar a concorrência; sugerimos a modernização da remuneração dos financiamentos concedidos pelo BNDES (Medida Provisória 777); fizemos uma série de mudanças no cartão de credito, o que tem reduzido o custo para o consumidor; e estamos implementando um novo marco legal dos processos administrativos punitivos conduzidos pelo BC (MP 784). Tudo isso tem impacto estrutural na economia”, diz o presidente.

Houve mudanças também na condução da política cambial, com redução dos estoques de swaps, dentro do regime de flutuação do câmbio, e ajustes importantes na comunicação do BC.

“Há ainda muito trabalho a fazer, com incerteza no cenário, mas podemos dizer que diferença um ano fez”, conclui.