Europeus liberam empréstimos de US$ 9,5 bilhões para Grécia

Por Viktoria Dendrinou, Nikos Chrysoloras e Alexander Weber | Bloomberg

Os credores da Grécia concordaram em liberar 8,5 bilhões de euros (US$ 9,5 bilhões) em novos empréstimos para Atenas, pondo fim a meses de incerteza sobre a capacidade do país de cumprir os vultosos pagamentos de títulos em julho.

A decisão aconteceu depois que os ministros das finanças da zona do euro procuraram oferecer mais clareza sobre o futuro da dívida da Grécia e esboçarem possíveis medidas que poderiam tomar para aliviar esse fardo. Reunidos em Luxemburgo na quinta-feira, eles reforçaram seu compromisso de estender o programa de auxílio à Grécia, se necessário, e ofereceram mais detalhes sobre o que isso poderia implicar. Mas não apresentaram medidas definitivas, as quais só viriam no fim do resgate, em meados de 2018. 

"É uma decisão muito construtiva que ajudará a Grécia, também no mercado internacional, a obter gradualmente mais credibilidade", disse o ministro das Finanças de Luxemburgo, Pierre Gramegna, após a reunião. "O objetivo é que a Grécia volte aos mercados nos próximos meses ou ano".

O compromisso, no entanto, deixa a Grécia com menos do que buscava, já que não foi suficiente para que o Fundo Monetário Internacional (FMI) reconhecesse que a dívida do país é sustentável. O fundo vai avaliar a assinatura de uma linha de crédito de 14 meses para a Grécia, mas só liberará novos empréstimos  quando receber mais garantias sobre as medidas de alívio da dívida. A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, disse que vai propor a "aprovação em princípio" de um novo acordo de garantia preventiva "provavelmente na faixa de US$ 2 bilhões" que dependeria da concretização de medidas de alívio da dívida.

Um reconhecimento explícito pelo FMI de que a dívida grega se tornará sustentável poderia ter aberto o caminho para que os títulos do país fossem incluídos na flexibilização quantitativa (QE) do Banco Central Europeu, o que reduziria os custos de empréstimos e facilitaria seu retorno ao mercado - uma promessa que o governo grego vem fazendo há meses. Mas sem a aprovação do Fundo, a inclusão no programa de compra de ativos do banco central continua improvável, de acordo com funcionários da UE.

Ainda assim, o acordo é bem-vindo, pois "dá espaço para respirar até ao final do ano, ofuscando o ruído sobre a política grega", de acordo com analistas da Pantelakis Securities, com sede em Atenas. "Estou muito mais feliz hoje do que na semana passada", disse o ministro grego das Finanças, Euclid Tsakalotos, após a reunião. "Nós não queremos que o perfeito seja o inimigo do bom."

O acordo pode reduzir a incerteza que nubla as perspectivas econômicas do país mais endividado da Europa, pois limita os custos de refinanciamento da dívida para 15% de seu produto interno bruto a médio prazo e 20% a partir de então. Enquanto isso, os credores concordaram que o superávit primário da Grécia - que exclui os pagamentos de juros e é um determinante chave de quanto alívio da dívida do país vai precisar - será de cerca de 2% do PIB de 2023 até 2060.

Os ministros da zona do euro também concordaram em incluir uma extensão dos vencimentos médios e o diferimento dos pagamentos de juros em alguns empréstimos do resgate da Grécia em até 15 anos. As medidas entrarão em vigor no próximo ano, na medida em que isso seja considerado necessário por uma análise da sustentabilidade da dívida.