2

Dilemas de política econômica

Por Mário Mesquita

A piora da relação entre crescimento e inflação ocorrida nos últimos anos complica bastante a elaboração de uma estratégia de resposta ao nítido enfraquecimento da atividade econômica. Em um momento em que as projeções para a taxa de crescimento do PIB se aproximam de 1%, com tendência de baixa, e as taxas de inflação corrente e esperada se deslocaram para um patamar desconfortavelmente elevado, o déficit em conta corrente está em nível bem superior à média histórica, o desemprego segue próximo à mínima da série e há risco de escassez de energia, a margem de manobra para a adoção de novas iniciativas expansionistas parece ser exígua. De fato, esses fatores sugerem que a taxa de expansão potencial do PIB pode ter sofrido redução substancial nos últimos anos, talvez para o intervalo entre 1 e 2%.