Temer diz que 'cortou práticas' que favoreciam 'criminosos'

Por Bruno Peres e Andrea Jubé | Valor

BRASÍLIA  -  Em vídeo gravado para redes sociais veiculado nesta segunda-feira para comentar viagem ao exterior, o presidente Michel Temer também enviou recado a 'criminosos', sem fazer referência direta a executivos da J&F em processo de delação premiada que o acusam. Temer faz referência aos ganhos da JBS por meio de operações com o BNDES e critica no vídeo o processo de delação feito pela empresa liderada por Joesley Batista.

Na delação, Joesley entregou áudio de conversa com Temer que complicou o pemedebista e o tornou investigado por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça.

“Acabamos com os favores que privilegiavam apenas algumas poucas empresas. Cortamos as práticas que permitiam a criminosos crescer à sombra dos ilícitos e do dinheiro público jorrado sem limite e com juros camaradas”, afirmou Temer.

“E muita gente não gostou disso. Já está claro o roteiro que criaram para justificar seus crimes: apontam o dedo para outros tentando fugir da punição. Aviso aos criminosos que não sairão impunes. Pagarão o que devem e serão responsabilizados pelos seus ilícitos”, ameaçou.

As declarações integram trecho de vídeo que está sendo divulgado aos poucos nas redes sociais e cuja íntegra ainda será revelada. Declarações veiculadas anteriormente por Temer abordaram sua viagem à Rússia e à Noruega, perspectivas otimistas para o desenvolvimento do país e ações do governo.

“É missão do presidente da República abrir novos mercados e oportunidades para os brasileiros. É minha obrigação criar as condições ideais para o desenvolvimento da economia e para as empresas evoluírem e crescerem em escala internacional. E, permitam-me dizer, tenho cumprido com as minhas obrigações”, disse Temer em referência às viagens. 

Em entrevista à revista “Época” o empresário Joesley Batista apontou Temer como “chefe da organização criminosa”. Ele reiterou acusações que já havia feito à procuradoria e detalhou o esquema de corrupção que, segundo ele, envolvia o comando de Temer, além de alguns seus aliados, como o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, agora preso, e o ex-ministro Geddel Vieira de Lima.

Retaliação

Após os recados mandados aos executivos da JBS, Temer afirmou que não pratica "retaliações", citou sua crença na Justiça e na solidez das instituições brasileiras e afirmou que vai "resistir".

"Sempre respeitei a independência dos Poderes. É assim que continuarei agindo. O Brasil está mais forte. Na economia e na gestão. E está mais forte porque tivemos a coragem de propor reformas necessárias e nunca alcançadas", disse. "Estamos modernizando nosso país. Muito ainda está por ser feito. Vamos agir. Vamos resistir. Vamos trabalhar. Vamos nos reencontrar com a alegria e a felicidade naturais do povo brasileiro. A hora é essa.".