Justiça aceita a 11ª denúncia contra o ex-governador Sérgio Cabral

Por Cláudia Schüffner | Valor, com Folhapress

RIO  -  O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, aceitou mais uma denúncia contra Sérgio Cabral. A denúncia, a 11ª contra o ex-governador do Rio de Janeiro, é resultado de investigação sobre crimes de lavagem de dinheiro cometidos com a compra de jóias em espécie, sem nota fiscal ou certificado nominal, revelados após a celebração de acordo de colaboração premiada dos empresários Roberto Stern, Ronaldo Stern e de dois funcionários da H. Stern, Maria Luiza Trotta e Oscar Luiz Goldemberg.

Ao aceitar a denúncia, Bretas narra que, além de consumados os chamados delitos antecedentes (corrupção passiva e ativa, pertinência a organização criminosa, cartel e fraude à licitação) - já objeto de denúncia contra Sérgio Cabral e a mulher dele, Adriana Ancelmo, e com auxílio de Carlos Miranda e Carlos Bezerra -, os réus por cinco vezes entre setembro de 2009 e agosto de 2014, "ocultaram e dissimularam a origem, natureza, disposição, movimentação e a propriedade de valores provenientes de crime, com a compra de joias na joalheria H. Stern", que, segundo a denúncia, foram avaliadas em R$ 4,527 milhões.

O MPF afirmou na denúncia que a aquisição de joias tinha "a finalidade de converter o dinheiro recebido a título de propina em ativo lícito e também para ocultar o real proprietário do bem".

As joias adquiridas sem nota fiscal são um brinco de ouro branco com brilhante solitário; um brinco de ouro amarelo com brilhante solitário; um conjunto de pulseira de ouro amarelo com diamante, brinco de ouro amarelo com diamante e anel de ouro amarelo com diamante; e ainda um brinco de ouro amarelo com rubi. Todos de 18 quilates.

Além de Cabral e Adriana, foram acusados Carlos Miranda e Carlos Bezerra, ambos apontados como operadores financeiros da quadrilha. 

 A defesa de Adriana Ancelmo já disse em outras oportunidades que a H. Stern mente ao atribuir as joias à ex-primeira-dama. Os advogados de Cabral disseram que só se pronunciariam nos autos do processo.